Resolução do Banco Central acerca de Ouvidoria (nº 4.433/2015)

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RESOLUÇÃO Nº 4.433, DE 23 DE JULHO DE 2015

Dispõe sobre a constituição e o funcionamento de componente organizacional de ouvidoria pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 23 de julho de 2015, com base no art. 4º, inciso VIII, da referida Lei, R ESOLVEU:

CAPÍTULO I
DO OBJETO E DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO

Art. 1º Esta Resolução disciplina a constituição e o funcionamento de componente organizacional de ouvidoria pelas instituições que especifica.
Art. 2º O componente organizacional de ouvidoria deve ser constituído pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil que tenham clientes pessoas naturais ou pessoas jurídicas classificadas como microempresas e empresas de pequeno porte, conforme a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
Parágrafo único. Ficam dispensados de constituir ouvidoria os bancos comerciais sob controle societário de bolsas de valores, de bolsas de mercadorias e futuros ou de bolsas de valores e de mercadorias e futuros que desempenhem exclusivamente funções de liquidante e
custodiante central, prestando serviços às bolsas e aos agentes econômicos responsáveis pelas
operações nelas cursadas.

CAPÍTULO II
DAS ATRIBUIÇÕES

Art. 3º São atribuições da ouvidoria:
I – prestar atendimento de última instância às demandas dos clientes e usuários de produtos e serviços que não tiverem sido solucionadas nos canais de atendimento primário da instituição;
II – atuar como canal de comunicação entre a instituição e os clientes e usuários de produtos e serviços, inclusive na mediação de conflitos; e III – informar ao conselho de administração ou, na sua ausência, à diretoria da
instituição a respeito das atividades de ouvidoria.
Parágrafo único. Para efeitos desta Resolução, considera-se primário o atendimento habitual realizado em quaisquer pontos ou canais de atendimento, incluídos os
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CAPÍTULO III
DA ORGANIZAÇÃO

Art. 4º A estrutura da ouvidoria deve ser compatível com a natureza e a complexidade dos produtos, serviços, atividades, processos e sistemas de cada instituição.
Parágrafo único. A ouvidoria não pode estar vinculada a componente organizacional da instituição que configure conflito de interesses ou de atribuições, a exemplo das unidades de negociação de produtos e serviços, da unidade responsável pela gestão de riscos e da unidade executora da atividade de auditoria interna.

Art. 5º É admitido o compartilhamento de ouvidoria nos seguintes casos:
I – instituição que integre conglomerado composto por pelo menos duas instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, podendo ser constituída a ouvidoria em qualquer das instituições autorizadas a funcionar;
II – instituição que não integre conglomerado composto por pelo menos duas instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, podendo ser constituída a ouvidoria:
a) em empresa ligada, conforme definição constante do art. 1º, § 1º, incisos I e III, da Resolução nº 2.107, de 31 de agosto de 1994; e
b) na associação de classe a que seja filiada ou na bolsa de valores ou bolsa de
mercadorias e futuros ou bolsa de valores e de mercadorias e futuros nas quais realize operações;
III – cooperativa singular de crédito filiada a cooperativa central, podendo ser constituída a ouvidoria na respectiva cooperativa central, confederação de cooperativas de crédito ou banco do sistema cooperativo; e
IV – cooperativa singular de crédito não filiada a cooperativa central, podendo ser constituída a ouvidoria em cooperativa central, federação de cooperativas de crédito, confederação de cooperativas de crédito ou associação de classe da categoria.
§ 1º O disposto no inciso II, alínea “b”, não se aplica a bancos comerciais, bancos múltiplos, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, associações de poupança e empréstimo e sociedades de arrendamento mercantil que realizem operações de arrendamento mercantil financeiro.
§ 2º O disposto nos incisos II, alínea “b”, e IV somente se aplica a associação de classe ou bolsa que possuir código de ética ou de autorregulação efetivamente implantado, ao qual a instituição tenha aderido.
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CAPÍTULO IV
DO FUNCIONAMENTO

Art. 6º As atribuições da ouvidoria abrangem as seguintes atividades:
I – atender, registrar, instruir, analisar e dar tratamento formal e adequado às
demandas dos clientes e usuários de produtos e serviços;
II – prestar esclarecimentos aos demandantes acerca do andamento das demandas,
informando o prazo previsto para resposta;
III – encaminhar resposta conclusiva para a demanda no prazo previsto;
IV – manter o conselho de administração ou, na sua ausência, a diretoria da
instituição, informado sobre os problemas e deficiências detectados no cumprimento de suas
atribuições e sobre o resultado das medidas adotadas pelos administradores da instituição para
solucioná-los; e
V – elaborar e encaminhar à auditoria interna, ao comitê de auditoria, quando
existente, e ao conselho de administração ou, na sua ausência, à diretoria da instituição, ao final
de cada semestre, relatório quantitativo e qualitativo acerca das atividades desenvolvidas pela
ouvidoria no cumprimento de suas atribuições.
§ 1º O atendimento prestado pela ouvidoria:
I – deve ser identificado por meio de número de protocolo, o qual deve ser
fornecido ao demandante;
II – deve ser gravado, quando realizado por telefone, e, quando realizado por meio
de documento escrito ou por meio eletrônico, arquivada a respectiva documentação; e
III – pode abranger:
a) excepcionalmente, as demandas não recepcionadas inicialmente pelos canais de
atendimento primário; e
b) as demandas encaminhadas pelo Banco Central do Brasil, por órgãos públicos
ou por outras entidades públicas ou privadas.
§ 2º O prazo de resposta para as demandas não pode ultrapassar dez dias úteis,
podendo ser prorrogado, excepcionalmente e de forma justificada, uma única vez, por igual
período, limitado o número de prorrogações a 10% (dez por cento) do total de demandas no mês,
devendo o demandante ser informado sobre os motivos da prorrogação.
Art. 7º A instituição deve manter sistema de informações e de controle das
demandas recebidas pela ouvidoria, de forma a:
I – registrar o histórico de atendimentos, as informações utilizadas na análise e as
providências adotadas; e
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II – controlar o prazo de resposta.
Parágrafo único. As informações de que trata este artigo devem permanecer
registradas no sistema pelo prazo mínimo de cinco anos, contados da data da protocolização da
ocorrência.
Art. 8º A instituição deve:
I – dar ampla divulgação sobre a existência da ouvidoria, suas atribuições e forma
de acesso, inclusive nos canais de comunicação utilizados para difundir os produtos e serviços; e
II – garantir o acesso gratuito dos clientes e dos usuários ao atendimento da
ouvidoria, por meio de canais ágeis e eficazes, inclusive por telefone, cujo número deve ser:
a) divulgado e mantido atualizado em local visível ao público no recinto das suas
dependências e nas dependências dos correspondentes no País, bem como nos respectivos sítios
eletrônicos na internet, acessível pela sua página inicial;
b) informado nos extratos, comprovantes, inclusive eletrônicos, contratos,
materiais de propaganda e de publicidade e demais documentos que se destinem aos clientes e
usuários; e
c) registrado e mantido permanentemente atualizado em sistema de informações,
na forma estabelecida pelo Banco Central do Brasil.

CAPÍTULO V
DAS EXIGÊNCIAS FORMAIS

Art. 9º O estatuto ou o contrato social das instituições referidas no art. 2º,
conforme a natureza jurídica da sociedade, deve dispor, de forma expressa, sobre os seguintes
aspectos:
I – as atribuições e atividades da ouvidoria;
II – os critérios de designação e de destituição do ouvidor e o tempo de duração de
seu mandato; e
III – o compromisso expresso da instituição no sentido de:
a) criar condições adequadas para o funcionamento da ouvidoria, bem como para
que sua atuação seja pautada pela transparência, independência, imparcialidade e isenção; e
b) assegurar o acesso da ouvidoria às informações necessárias para a elaboração
de resposta adequada às demandas recebidas, com total apoio administrativo, podendo requisitar
informações e documentos para o exercício de suas atividades no cumprimento de suas
atribuições.
§ 1º As exigências previstas no caput devem ser incluídas no estatuto ou contrato
social da instituição na primeira alteração que ocorrer após a constituição da ouvidoria ou após o
início da vigência desta Resolução.
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§ 2º As alterações estatutárias ou contratuais exigidas por esta Resolução
relativas às instituições que optarem pela faculdade prevista no art. 5º, incisos I e III, podem ser
promovidas somente pela instituição que constituir a ouvidoria.
§ 3º As instituições que não constituírem ouvidoria própria em decorrência da
faculdade prevista no art. 5º, incisos II e IV, devem ratificar a decisão na primeira assembleia
geral ou na primeira reunião de diretoria realizada após tal decisão.
Art. 10. As instituições referidas no art. 2º devem designar perante o Banco
Central do Brasil os nomes do ouvidor e do diretor responsável pela ouvidoria.
§ 1º O diretor responsável pela ouvidoria pode desempenhar outras funções na
instituição, inclusive a de ouvidor, exceto a de diretor de administração de recursos de terceiros.
§ 2º Nos casos dos bancos comerciais, bancos múltiplos, caixas econômicas,
sociedades de crédito, financiamento e investimento, associações de poupança e empréstimo e
sociedades de arrendamento mercantil que realizem operações de arrendamento mercantil
financeiro, que estejam sujeitos à obrigatoriedade de constituição de comitê de auditoria, na
forma da Resolução nº 3.198, de 27 de maio de 2004, o ouvidor não poderá desempenhar outra
função, exceto a de diretor responsável pela ouvidoria.
§ 3º Nas situações em que o ouvidor desempenhe outra atividade na instituição,
essa atividade não pode configurar conflito de interesses ou de atribuições.
§ 4º Os dados relativos ao diretor responsável pela ouvidoria e ao ouvidor devem
ser inseridos e mantidos atualizados em sistema de informações, na forma estabelecida pelo
Banco Central do Brasil.
Art. 11. Nas hipóteses previstas no art. 5º, incisos I, III e IV, o ouvidor deve:
I – responder por todas as instituições que compartilharem a ouvidoria; e
II – integrar os quadros da instituição que constituir a ouvidoria.
Art. 12. Para cumprimento do disposto no caput do art. 10, nas hipóteses
previstas no art. 5º, inciso II, as instituições devem:
I – designar perante o Banco Central do Brasil apenas o nome do respectivo
diretor responsável pela ouvidoria; e
II – informar o nome do ouvidor, que deverá ser o do ouvidor da associação de
classe, bolsa de valores, bolsa de mercadorias e futuros ou bolsa de valores e de mercadorias e
futuros, entidade ou empresa que constituir a ouvidoria.

CAPÍTULO VI
DA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES

Art. 13. O diretor responsável pela ouvidoria deve elaborar relatório semestral
referente às atividades desenvolvidas pela ouvidoria, nas datas-base de 30 de junho e 31 de
dezembro.
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Parágrafo único. O relatório de que trata o caput deve ser encaminhado à
auditoria interna, ao comitê de auditoria, quando existente, e ao conselho de administração ou, na
sua ausência, à diretoria da instituição.
Art. 14. As instituições devem divulgar semestralmente, nos respectivos sítios
eletrônicos na internet, as informações relativas às atividades desenvolvidas pela ouvidoria.
Parágrafo único. O Banco Central do Brasil poderá estabelecer o conteúdo
mínimo das informações de que trata o caput.
Art. 15. O Banco Central do Brasil estabelecerá o conteúdo, a forma, a
periodicidade e o prazo de remessa de dados e de informações relativos às atividades da
ouvidoria.

CAPÍTULO VII
DA CERTIFICAÇÃO

Art. 16. As instituições referidas no art. 2º devem adotar providências para que os
integrantes da ouvidoria que realizem as atividades mencionadas no art. 6º sejam considerados
aptos em exame de certificação organizado por entidade de reconhecida capacidade técnica.
§ 1º O exame de certificação deve abranger, no mínimo, temas relacionados à
ética, aos direitos e defesa do consumidor e à mediação de conflitos.
§ 2º A designação dos integrantes da ouvidoria referidos no caput fica
condicionada à comprovação de aptidão no exame de certificação, além do atendimento às
demais exigências desta Resolução.
§ 3º As instituições referidas no art. 2º são responsáveis pela atualização
periódica dos conhecimentos dos integrantes da ouvidoria.
§ 4º O diretor responsável pela ouvidoria sujeita-se à formalidade prevista no
caput, caso exerça a função de ouvidor.
§ 5º Nas hipóteses previstas no art. 5º, incisos II e IV, aplica-se o disposto neste
artigo aos integrantes da ouvidoria da associação de classe, entidade e empresa que realize as
atividades mencionadas no art. 6º.

CAPÍTULO VIII
DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 17. O Banco Central do Brasil poderá adotar medidas complementares
necessárias à execução do disposto nesta Resolução.
Art. 18. Os relatórios e a documentação relativa aos atendimentos realizados, de
que tratam os arts. 6º, inciso V e § 1º, 7º e 13, bem como a gravação telefônica do atendimento,
devem permanecer à disposição do Banco Central do Brasil na sede da instituição pelo prazo
mínimo de cinco anos.
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Art. 19. Fica concedido prazo até 30 de junho de 2016 para as instituições
referidas no art. 2º se adaptarem ao disposto nesta Resolução.
Art. 20. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 21. Fica revogada a Resolução nº 3.849, de 25 de março de 2010.

Alexandre Antonio Tombini
Presidente do Banco Central do Brasil
Este texto não substitui o publicado no DOU de 27/7/2015, Seção 1, p. 30/31, e no Sisbacen

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